A Reforma Tributária do Consumo trouxe uma nova arquitetura de Documentos Fiscais Eletrônicos (DF-e) para operações que, até então, tinham documentação dispersa, em papel ou sem nota fiscal. Parte desses documentos foi criada agora; outros já existiam e foram incorporados ao novo modelo, com campos para IBS e CBS. O cronograma de obrigatoriedade e os leiautes técnicos foram unificados pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4 de 2026.
Para quem recebe essas notas, há um ponto prático que merece atenção: nem todo documento estará disponível para download no ambiente nacional. Em alguns casos, o XML precisa ser solicitado diretamente a quem emitiu a nota.
Quais são as novas notas
Serviços de infraestrutura
- NFAg (Modelo 75): Nota Fiscal de Água e Saneamento Eletrônica. Substitui as faturas em papel de abastecimento de água e coleta ou tratamento de esgoto, padronizando as informações para o cálculo dos novos tributos.
- NF3-e (Modelo 66): Nota Fiscal de Energia Elétrica Eletrônica. Utilizada pelas concessionárias de energia no faturamento dos consumidores.
- NFGas (Modelo 76): Nota Fiscal Eletrônica do Gás. Documenta exclusivamente operações de gás canalizado distribuído em redes urbanas, substituindo formatos descentralizados e em papel.
- NFCom (Modelo 62): Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica. Utilizada por prestadores de serviços de comunicação e telecomunicações.
Imóveis
- NF-e ABI (Modelo 77): Nota Fiscal Eletrônica de Alienação de Bens Imóveis. Primeiro documento fiscal criado especificamente para compra e venda, permuta, dação em pagamento e incorporação de imóveis, operações que antes o Fisco acompanhava apenas por escrituras e registros cartoriais.
- NFS-e Aluguel: regime específico dentro da NFS-e nacional para locação, cessão onerosa e arrendamento de bens. Como não havia incidência de ISS, essas operações historicamente dispensavam nota fiscal; com a tributação por IBS e CBS, passam a ser documentadas na plataforma nacional unificada.
Transporte e logística
- NFS-e Via: Nota Fiscal de Serviço de Exploração de Vias. Padrão nacional para concessionárias de rodovias e operadoras de pedágio.
Por que o XML importa
O XML é o documento fiscal propriamente dito. É ele que alimenta a escrituração, a validação das informações e o armazenamento fiscal, além de servir de base documental para a apropriação de créditos de IBS e CBS. O PDF ou a segunda via da fatura apresentam os dados da nota, mas não substituem o arquivo original.
Na prática, uma nota recebida sem o XML correspondente é uma informação que não entra no fluxo fiscal da empresa, e o risco é de crédito perdido por falta de visibilidade.
Quando é preciso solicitar o XML
Documentos como NF3-e, NFAg, NFCom e NFGas podem não estar disponíveis para download no ambiente nacional. Nesses casos, o contribuinte deve solicitar o arquivo XML diretamente ao emissor: a concessionária, a operadora ou o fornecedor do serviço.
Como fazer a solicitação
- Acesse o site ou aplicativo da empresa emissora
- Procure pelos canais de atendimento
- Solicite o arquivo XML da nota fiscal
- Informe os dados do documento
- Guarde o número do protocolo da solicitação
Dados que devem ser informados
- Razão social
- CNPJ
- Inscrição estadual, se houver
- Código do cliente ou unidade consumidora
- Período da nota
- Número e série
- Chave de acesso, se disponível
- Valor e data da fatura
- E-mail para recebimento
Atenção: solicite o arquivo no formato XML original, e não somente o PDF ou a segunda via.
Modelo de solicitação
Assunto: Solicitação de XML da nota fiscal
Prezados,
Solicito o envio do arquivo XML da nota fiscal emitida para a empresa [razão social], CNPJ [CNPJ], referente ao período de [mês/ano].
Dados da nota:
Tipo: [NF3-e/NFAg/NFCom/NFGas]
Número: [número]
Série: [série]
Chave de acesso: [chave, se disponível]
Data: [data]
Valor: [valor]
Código do cliente ou unidade consumidora: [código]Solicito o envio do arquivo fiscal original em formato XML para o e-mail [e-mail].
Peço também o número de protocolo deste atendimento.
Atenciosamente,
[nome]
[empresa]
[telefone]
[e-mail]
Se não houver resposta
- Reforce a solicitação informando o protocolo anterior
- Peça o encaminhamento ao setor fiscal ou de faturamento
- Registre uma reclamação na ouvidoria da empresa
- Se necessário, procure a SEFAZ da unidade federada do emissor para orientação
Um processo que passa a fazer parte da rotina
Com as notas de consumo, a gestão de documentos fiscais deixa de depender apenas do que chega automaticamente. Mapear quais fornecedores emitem esses documentos, organizar as solicitações de XML e acompanhar os protocolos passa a ser parte da rotina fiscal, e é o que garante que cada documento recebido esteja disponível para escrituração, validação e aproveitamento de créditos.
Com o NDD Space, as notas de consumo entram no fluxo fiscal da sua empresa
O NDD Space centraliza a gestão das novas notas de consumo em uma única plataforma, reunindo os documentos recebidos para escrituração, validação e armazenamento, com a visibilidade necessária para o aproveitamento de créditos de IBS e CBS. Assim, cada XML obtido, seja no ambiente nacional ou diretamente com o emissor, passa a fazer parte de uma rotina organizada e rastreável.
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